(aviso ao leitor: esse texto possui muita digressão. Digressão é tipo
quando sua avó vai contar uma história e, no meio do caminho, começa a contar
vários outros trechos, recortes de outras tantas histórias – veja bem, sua avó
é velha, deve ter história feito a Bíblia – e aí você se perde todo. Sua avó,
por mais genial que seja em seus tantos anos de existência e vasto acúmulo
sapiencial, não nota que sai do assunto sempre que conversa, mas nem por isso a
história fica sem final [na maioria dos casos]. Tudo acaba bem. Que saudade da
minha falecida avó. Ela era muito boa na cozinha, sabia usar o cominho a seu
favor. O feijão era uma maravilha. O guisado, então? De comer de joelhos.
Pronto. Isso é digressão. Na verdade, esse parêntese inteiro foi meio que uma
digressão. Que pena que você perdeu seu precioso tempo num parágrafo inchado
com pura irrelevância. Enquanto você lê isso, do outro lado do mundo, um
asiático estuda. Coisas da vida)
Com uma boa
dose de filtros, correções, desfoques e afins, qualquer um fica bonito. E
saudável, rico, descolado, cheio de atitude. A vida da gente (convenhamos, uma
enorme sucessão de dias simplesmente ok, com tarefas cumpridas e certa
indisposição) encontra na web a chance de redenção. Se você tem uma câmera,
então, meu pai, você tem tudo na vida (virtual). Na internet, todo mundo pode
ser mais feliz. Tudo é editável; o que não interessa sai fora. E fica tudo
colorido, bonito, curtido. Pobre daquele que não conheceu a infinidade de
recursos que as redes sociais oferecem. Deve ser uma pessoa muito infeliz.