Por Gabriel Stein de Servi
O ditado é conhecido, “faço o que
eu digo, mas não faça o que eu faço”. Para o estudante de teologia, futuro
pastor, tal expressão popular não se limita à
apenas mais uma entre as várias fixadas na memória. Pelo contrário,
diariamente se manifesta diante de atitudes e comportamentos que não condizem
com o cristianismo ideal. Essa característica tende a aumentar cada vez mais, a
medida que a exposição e a cobrança se tornarem mais recorrentes. Não se vive
apenas de Bíblia aberta e oratória bem aplicada. Mas de um exemplo vivo aberto
e aplicações bem praticadas.
Tentando aproximar o primeiro
parágrafo com a realidade do seminário de teologia do Unasp-EC, podem ser
listados alguns aspectos peculiares. Por exemplo: como já dizia Paulo, de tudo, o que mais se destaca é o
amor (1 Cor 13:13). Sim, o amor é o tema valorizado em todas as meditações,
reflexões, devocionais e hipóteses de métodos eficientes de solução para todos
os problemas da igreja e do mundo. A única diferença é que muitas vezes não é o
tema das conversas de roda, de mesa e de ‘amigos’.
No momento de especulação a
respeito de teorias teológicas e ministérios ativos, o amor é
indiscultivelmente o elemento mais presente nos ambientes. Mas quando é
necessário ajudar um colega que está carente (dificuldades acadêmicas,
financeiras, familiares, espirituais), o ato de amor fica como responsabilidade
para o próximo e não para si mesmo.
Afinal o tempo é curto, e nessa altura do campeonato cada um luta pelo
que é seu.
A moderação e modéstia de fato
chamam atenção por enaltecer um caráter louvável. Contudo, existem aqueles que,
entre colegas e irmãos, gostam de ostentar feitos e fatos que os colocam nas
mais altas posições de status. Isso desde a escolha dos amigos, dos
círculos, das gamas fechadas e com idiossincrasias em comum. Se agrega valor ao
grupo, bom, senão, só mais um. Não é de se estranhar a falta de parceria nos
ministros já consolidados. Se às vezes, ainda no
colégio, o orgulho domina os espaços.
E o que falar, então, sobre o
juízo de conduta? Em Romanos está
escrito que se auto condena quem aos outros julga (Rom. 2:1). É o cabelo de um,
o tênis do outro, o modo de se vestir, e a quantidade de comida no almoço. Se bebe líquido na refeição, não leva a vida
a sério. Se fala com mulheres, tem
sotaque, perde aula, se não presta atenção em todas as capelas e ainda falta…
Chega.
(A partir daqui peço licença para
concluir na 1ª pessoa).
Não me recordo de ver algum pai
estudando com o próprio filho. Vivendo a mesma vida, enfrentando os mesmos
desafios. Cada um trilha o seu próprio caminho. E neste colégio vive o tempo de
consolidar seu próprio caráter. Com colegas e não inimigos, com amigos e não
adversários. Existe um Deus que tudo vê, e tudo sabe nos mínimos detalhes. E se
não quiser nenhum dos candidatos a ministros da verdade, assim o fará. A nós
cabe a humildade de não falarmos mais do que podemos provar. E mais do que os argumentos, nossa vida é a
testemunha ocular. Enquanto isso, não
nos esqueçamos, que mesmo distantes, somos um grupo de irmãos. Em Cristo, como
um corpo unido, juntos cumpriremos a missão. E se alguém, por via das dúvidas,
ainda estiver desavisado, não se esqueça:
neste lugar, aqui estamos, em resposta ao mesmo chamado.
